João Gabriel, Advogado

João Gabriel

Cuiabá (MT)

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D
Daniel Machado
Comentário · há 9 anos
Eu já penso diferente.

Acho que deveriam existir o que eu chamaria de "leis morais", ou seja, leis que indicam boas práticas de convívio e que devem servir como mera sugestão. Uma dessas leis seria a de que não se deve beber e dirigir.

Entretanto, não deve ser crime beber e dirigir, pois não existe relação inequívoca entre essa prática e o prejuízo a alguém e, assim sendo, a criminalização muitas vezes é a injustiça travestida de justiça. Também não é sempre que há um acidente de trânsito que a bebida está envolvida, pessoas que vivem vidas conturbadas ou estressadas, ou mesmo mal motoristas são tão nocivos quanto. Logo, esse lei que criminaliza o motorista que bebe é bastante leviana e serve muito mais para alimentar um debate que foge do verdadeiro foco. É o típico caso de se apresentar uma solução sem se isolar o verdadeiro problema.
Ademais, sou um ferrenho defensor da redução de leis no país, pois acho que o excesso de leis é a raiz de todos os problemas que enfrentamos.

E acho que a para garantir a viabilidade do exercício da justiça sua atuação deve se ater somente quando há prejuízo de fato e, seguindo minhas instruções, o descumprimento de uma "lei moral" serviria sim como agravante de um processo instaurado.

Isso tudo deve ajudar o cidadão a se ajustar, que é um objetivo que a lei atual não consegue porque é impositiva, ou seja, há uma certa hipocrisia na própria lei, que busca regulamentar o respeito entre os cidadãos desrespeitando a capacidade de decisão individual. Isso nunca vai dar certo, pois não faz sentido.

Temos que partir da premissa de que todo indivíduo é capaz de se ajustar sem a necessidade constante de controle do Estado, supondo que desde que as leis lhe façam sentido coletivamente e individualmente falando. Se admitirmos um Estado controlador, estaremos criando uma sociedade que não satisfaz os indivíduos, mas que serve somente para preservação do próprio sistema. Desta forma como é hoje acaba se é criando uma cultura geral de desprezo pelas leis, uma verdadeira anarquia. E como tentamos resolver isso? Com mais leis (impositivas), um ciclo vicioso.

Talvez, justamente por essa dinâmica impositiva é que somos, nas suas próprias palavras, o retrato do atraso jurídico, político, ético, moral, educacional, etc.

Fique de olho.
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